O “Problema de Comunicação”

By , 24/05/2011 10:36 AM

What we´ve got here is… failure to comunicate
Civil War (Guns and Roses)

Se, conforme o post anterior, partirmos do pressuposto que o gerenciamento de projetos de desenvolvimento de software (fico tentado à uma generalização ainda maior mas a razão me proíbe) deva ser encarado a partir de uma abordagem sociotécnica e que tal abordagem sugere que o social e o técnico são indivisíveis, devemos atentar que os problemas de cunho social de um projeto, em geral, recebem a denominação de “problema de comunicação”.

É certo que parte dos problemas esteja realmente relacionada aos problemas no uso da linguagem como erros de gramática (dica: blog do professor Sérgio Nogueira), semântica ou oratória  (dica: livro “É assim que se fala” do professor Reinaldo Polito), assim como, parte dos problemas está relacionada à falha no gerenciamento da comunicação (quais informações devem ser enviadas? quem deve recebê-las? com que frequência? etc.).

Entretanto, uma grande quantidade de outras questões também recebe a denominação de “problema de comunicação” ou outras (“problema de relacionamento”, “problema de entendimento”, “problema de percepção”, “problema político” etc.) e todas pecam pelo mesmo motivo: são genéricas. Abaixo alguns exemplos de avaliações e, consequentemente, denominações um pouco mais específicas:

  • Se durante um workshop de requisitos, todos os participantes tentam falar ao mesmo tempo, ou quando o brainstorming é dominado por um ou dois participantes e o resultado em grupo é pífio, provavelmente temos um problema na facilitação do workshop/reunião ao invés de um problema de relacionamento entre as partes;
  • Quando presenciamos uma estressante e desgastante discussão entre duas posições (ex.: “não abro mão de um tempo de resposta de 10 segundos X só é possível chegar à 15 segundos”) é muito provável que estejamos diante de um problema de negociação muito mais do que de um problema de desempenho.
  • Quando durante esta mesma negociação ouvimos interminavelmente “argumentos” do tipo: “todos sabem que é impossível melhorar este tempo” ou “se o facebook com zilhões de usuários consegue tempos baixos nós com muito menos usuários temos que conseguir também”, temos problema de falta de técnica de argumentação entre os debatedores;
  • Quando após dois meses de trabalho árduo sem resultados a equipe reluta em abandonar a proposta original pois “já foi investido muito tempo para se desistir agora” estamos diante de um conhecido viés cognitivo que pode gerar um erro na tomada de decisão.

De fato, todos os exemplos acima possuem como pano de fundo um processo pelo qual idéias e sentimentos se transmitem de indivíduo para indivíduo, tornando possível a interação social, mas conforme o exposto, o uso de denominações genéricas impede que as situações sejam exploradas; que as causas raízes sejam descobertas; e que ocorram, verdadeiramente, reflexões sobre os problemas.

Por fim, antes de iniciar os posts sobre as técnicas que podem apoiar o gerente de projetos na resolução dos “problemas de comunicação”, vou comentar no próximo post sobre uma questão que impacta diretamente a qualidade de todas as interações sociais e consequentemente todas as técnicas: O Papel das Emoções.

Nota.: Não tenho formação em linguística, psicologia ou ciências sociais (antropologia, sociologia ou política). Considero-me ainda um aprendiz nestas técnicas e, seguindo um dos objetivos deste blog, vou compartilhar o que já li e aprendi sobre elas.

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