Complexidade

By , 31/10/2011 9:15 AM

A verdadeira falha … da maioria dos empreendimentos em qualquer organização social, e em especial, na área de engenharia de software, é não abordar a questão com um olhar sociotécnico.

Eu escrevi a frase acima no post “O Elo Perdido” e desde o momento que a publiquei tinha consciência que estava incompleta. Mas, antes de escrevê-la de forma completa, eu precisava aprofundar minhas pesquisas sobre um assunto que há dois anos desperta meu interesse e curiosidade: a Complexidade.

Nos dias 25 e 26 de Agosto deste ano participei do treinamento Management 3.0 diretamente com Jurgen Appelo o autor do best-seller homônimo ao treinamento (Em tempo: o autor iniciou um programa de licenciamento de instrutores. O Brasil já tem instrutor – Alexandre Magno da Adaptworks – e a primeira turma em português está com inscrições abertas. Recomendo, sem ressalvas, tanto o livro quanto o treinamento). Este treinamento foi o trigger que faltava para eu voltar com as minhas pesquisas.

Conforme citado no livro, Stephen Hawking fez uma declaração que o século 21 será o século da complexidade. De fato, nas últimas décadas o interesse pelo assunto cresceu e avançou muito, inicialmente na matemática e na biologia e posteriormente na economia, sociologia e administração.

A casualidade determinística (todo o efeito pode ser completamente explicado por sua causa) e o reducionismo (a abordagem de desconstruir sistemas em suas partes e analisar como estas partes interagem para formar o todo) são as bases do método científico e, desta forma, influenciaram todas as ciências.

Entretanto, este pensamento não é suficiente. Somos capazes de prever que o periélio (o ponto da órbita de um corpo que está mais próximo do Sol) do Cometa Halley será no dia 29 de Julho de 2061, mas não somos capazes de prever o tempo em 1 ano, que dirá em décadas.

Sendo assim, e contrapondo o pensamento anterior, surgiram no século 20 inúmeras teorias (Teoria do Caos, Teoria da Dinâmica dos Sistemas, Teoria dos Jogos, Cibernértica, Teoria Evolucionária, entre outras.) que fizeram grandes avanços explicando porque alguns fenômenos são imprevisíveis e porque alguns eventos não podem ser calculados e planejados.

Também como citado no livro, apesar da popularidade, não existe uma única definição para Complexidade, assim como, não há uma só teoria cobrindo todas suas nuances. Desta forma, algumas vezes referem-se ao conjunto de teorias citadas acima como sendo a Teoria da Complexidade ou a Ciência da Complexidade.

Em 2010 o PMI Journal (publicação acadêmica do PMI) publicou dois artigos do pesquisador Manfred Saynisch. O primeiro descreve o programa de pesquisa “Beyond Frontiers of Traditional Project Management”. Este programa (composto por 5 projetos de pesquisa) teve início em 1990 e trabalhou a hipótese de que o gerenciamento de projetos tradicional não seria suficiente para suportar os desafios do aumento de complexidade na economia, na sociedade e nas tecnologias atuais.

O segundo artigo “Mastering Complexity and Changes in Projects, Economy and Society via Project Management Second Order (PM-2)”, que em 2007 recebeu o IPMA Research Award e em 2010 o Research Prize do International Centre for Complex Project Management, descreve o modelo de referência PM-2, que foi o resultado do programa de pesquisa acima citado. Curiosamente, na conclusão do artigo o desenvolvimento ágil é citado como um exemplo da implementação prática de alguns dos elementos do referido modelo.

No próximo post pretendo abordar quando classificar um projeto como complexo e acredito que, após meus estudos iniciais (tenho _muito_ ainda pra estudar sobre o assunto), poderia reescrever a frase do início deste post da seguinte forma:

A verdadeira falha … da maioria dos empreendimentos em qualquer organização social, e em especial, na área de engenharia de software, é não abordar a questão com um sistema social complexo e adaptativo.

 

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