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O Elemento Humano

By , 04/09/2011 10:58 PM

Agora, entre o meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu. (Câmara de EcosWaly Salomão)

O ano de 2005 foi uma ano muito importante para mim. No início daquele ano me certifiquei como PMP e nos meses finais eu assumi um projeto internacional em Manaus onde tive meu primeiro contato com XP e Scrum. Mas foi em meados daquele ano que participei de uma série de cursos na FGV (Formação de Negociadores) que representaram uma guinada nos meus estudos, e consequentemente, na minha carreira.

Nesta formação tive meu primeiro contato com o Método de Negociação Baseada em Princípios desenvolvido pelo Programa de Negociação de Harvard, com as técnicas de Resolução de Problemas e Tomada de Decisão de Kepner e Tregoe, entre outras técnicas das chamadas soft skills.

Escutei pela primeira vez sobre o workshop “O Elemento Humano” no curso de Comunicação Interpessoal. Desde então venho tentando participar deste workshop o que finalmente aconteceu no final do mês de Julho deste ano.

Este método foi desenvolvido por William Schultz, Ph.D, e tem sua origem na década de 50 e foi revisada e atualizada ao longo de 5 décadas seguintes. Atualmente esta técnica é ensinada nos 5 continentes, em mais de 20 países e em 15 idiomas.

A premissa deste método é que a maioria das mudanças organizacionais, programas, projetos etc. falha não por motivos técnicos ou mesmo gerenciais, mas sim, por não considerarem devidamente a natureza humana (acho que eu já vi isso antes). O método caracteriza as relações interpessoais em 3 dimensões (inclusão, controle e abertura) e apoia-se firmemente no desenvolvimento da autoconsciência, e em muitos casos, na autoestima.

Para minha grande surpresa o workshop não foca diretamente em técnicas e práticas para você trabalhar a com a sua equipe (afinal, o nome do workshop é “Desenvolvimento de Liderança”). De fato, o workshop foi focado em cada um dos participantes. O foco foi no desenvolvimento da autoconsciência e autoestima de cada um. Vou compartilhar os dois pontos que mais me marcaram.

Em 2010 a Marcondes Consultoria – empresa de consultoria que é distribuidora exclusiva do método no Brasil – realizou uma pesquisa nacional sobre os valores predominantes dos brasileiros. Conforme relatado por uma reportagem da Revista Época (1 de Novembro de 2010):

Quando se olha no espelho o brasileiro só vê bondade: honesto, ele valoriza a família e as amizades; tem esperança e paciência; é alegre e justo. Quando olha para o lado enxerga um país tomado por corrupção, pobreza, violência, burocracia e outros males.

Ainda na reportagem, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca destaca:

Cada um se imagina diferente do todo a que pertence. Se você perguntar para as pessoas “Você é racista?”, 98% dirão que não. Se perguntar para a mesma amostra se existe racismo no Brasil, 90% dirão que sim.

Desta forma, um dos conceitos que mais me marcou no workshop foi: Assuma o seu papel de protagonista! Se as coisas não andam bem nas equipes e empresas uma parcela da responsabilidade é nossa. Como integrantes, escolhemos se vamos ou não agir para uma mudança, mas, independente da escolha, não somos meros expectadores, e sim partes indissociáveis destes sistemas.

O segundo conceito que mais me marcou foi o da Verdade. Falar a Verdade é a forma mais simples e direta de atingir o cerne da questão do baixo desempenho nos relacionamentos. Não devemos imaginar a Verdade como algo inquestionável. Poucas coisas são realmente indiscutíveis.

A Verdade é o que sentimos, é a experiência de cada um. É o que é. Não o que nós gostaríamos que fosse.

O workshop nos convidou a imaginar o que ocorreria se todos nós disséssemos somente a Verdade (a discussão foi boa). Nos convidou a pensar quais eram os motivos de porque não falamos sempre a Verdade: Medo de magoar as pessoas? De ficar vulnerável? Por fim, a facilitadora do workshop nos convidou (e enfatizou que esta é uma responsabilidade indelegável do líder) a falar a Verdade um pouquinho mais a cada dia e também nos avisou, citando a grande frase que ficou tatuada na minha cabeça e que foi dita pelo criador do método:

A Verdade liberta, mas antes vai fazer você se sentir um miserável.

Reforçando o post anterior, todo líder deve buscar o desenvolvimento de sua autoconsciência. Recomendo sem hesitar este workshop e – caso você queira se aprofundar na teoria – recomendo dois livros do criador do método: Profunda Simplicidade e The Human Element.

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