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Racionalidade e Emoção

By , 13/06/2011 8:55 AM

É dito que o ser humano é um ser racional. Conforme descrito no livro “Empresas de Sucesso, Pessoas Infelizes?” de Clemente Nóbrega (já citado neste blog e leitura recomendada):

… adoramos pensar em nós próprios como formuladores racionais e “técnicos”.

De fato, conforme descreve Sérgio Navega (também já citado neste blog. Seu site possui artigos excelentes sobre inteligência, criatividade, argumentação entre outros. Leituras fortemente recomendadas.) no seu artigo “É possível Racionalidade e Emoção Conviverem?”, a nossa espécie  – Homo Sapiens – é fruto de uma longa evolução resultando em:

… Um animal capaz de pensar racionalmente em como atender às suas demandas instintivas e emocionais. Um animal capaz de argumentar de forma sensata com os outros de sua espécie, criando conhecimento cultural e estabelecendo colaboração…

Entretanto, antes de sermos racionais, somos seres emocionais e instintivos. E esse “antes” não se refere apenas a linha do tempo evolucionária. Conforme descrito no livro “Pensamento Crítico e Argumentação Sólida” de Sérgio Navega (livro que utilizarei como base para os futuros posts sobre argumentação), a parte do cerébro que trata da racionalidade precisa percorrer um caminho neural maior do que a parte que cuida das emoções e das reações instintivas, pois nossa sobrevivência depende de reações rápidas.

Sendo assim, extirpar as emoções do nosso comportamento não só é impossível como também indesejável.  Em seu livro, Nóbrega cita as pesquisas de Antonio Damasio, autor do livro “O Erro de Descartes”, que demonstram que se a capacidade de registrar emoções fosse retirada de nosso cérebro teríamos alguém incapaz de tomar as decisões mais simples como atravessar uma rua, se preparar para ir ao trabalho etc. Essa pessoa ficaria se consumindo em avaliações e avaliações e não faria nada. Ela se tornaria um super-raciocinador paralisado. Ela se tornaria um idiota racional.

Neste momento você pode estar se lembrando de várias frases como: “você deve deixar seus problemas pessoais do lado de fora da empresa” ou “no ambiente de trabalho haja exclusivamente de forma racional”. Isso é ridículo. Temos isso (emoções e instintos) da mesma maneira que temos fígado e pulmões (comparação criada por Nóbrega).

Contudo, nos dias de hoje, não devemos deixar nossas emoções ditarem nosso comportamento. A passagem abaixo do artigo de Navega descreve brilhantemente como deve ser nossa abordagem.

… Nosso primeiro impulso, após um ataque verbal maldoso de nosso oponente em que este levante a voz, pode ser pular na jugular dele, retribuindo o ataque (ou virar as costas e fugir correndo, caso ele tenha a compleição de um lutador de sumô). Mas alguns segundos de reflexão podem conceber um contra-ataque argumentativo muito mais eficaz do que a mera resposta instintiva. É a famosa tática do “contar até dez”. Se para os “homens da caverna” a reação instintiva era mais valiosa, para nós, que estamos em um meio social mais sofisticado, a reação ponderada tem mais valor. Fica claro, portanto, que estou propondo a razão aqui não apenas como um mero auxiliar de nossas emoções, mas também como uma tática que pode redirecionar e modificar a expressão de certas emoções. Aquilo que era raiva pode virar agora energia para providenciar uma ação culturalmente mais aceitável, como responder com determinação, bom senso e argumentação.

Mas então como podemos aprender a ajustar as nossas emoções, nossa racionalidade, enfim, nosso comportamento, para as diversas situações cotidianas? No próximo post veremos uma das possíveis respostas para essa pergunta e também a primeira e uma das principais habilidades para uma adequada atuação sociotécnica nos projetos: A Inteligência Emocional.

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